sábado, 26 de maio de 2012

O MACHO ALFA



Dentre as teorias que existem para sustentar a criação do Estado, no meu entender, basta apenas uma para sacramentar sua necessidade: o Estado existe para promover o controle social. Este controle é necessário para que a sociedade sobreviva. O homem é um animal sanguinário e sente, instintivamente, aversão pelo seu semelhante. Por esta razão, é preciso da coação Estatal para que não nos matemos uns aos outros e, com isso, acabemos com tudo o que foi construído até aqui. E por um estranho paradoxo, é  esse instinto agressivo que construiu o que chamamos por sociedade, cultura, civilização. Tudo o que o engenho humano produziu em obras e realizações, é fruto da sublimação dos instintos primários agressivos e, por isso mesmo:  destrutivos. Dessa sublimação nasceu a produção humana, a sociedade. Dentro dessa sociedade,  surge aqueles que comandam, que lideram. Esses são os machos alfas que conduzem o restante, aqueles  cujo estágio evolutivo não alcançou os que estão na liderança. Essa leva que  ficou na retaguarda, necessita do apoio e da defesa das lideranças. São essas lideranças que lhes possibilita sobreviver num ambiente hostil e extremamente competitivo. São os mais aptos, física e mentalmente que lideram a sociedade e dão o tom para o seu desenvolvimento. E é graças a eles que, aqueles que não lograram a mesma sorte, podem encontrar proteção e condições de sobrevivência.  São os mais aptos que irão montar as empresas para produzir, inventar e criar novas técnicas e novos produtos, gerando empregos, bem estar e impostos que irão alimentar o Estado.
            Como quase sempre essa liderança  é contestada e desafiada, surge a necessidade ainda que instintiva da agressividade como arma de ataque e defesa. Isso porque todos querem estar em destaque e se posicionar como o macho alfa. E assim como acontece no mundo animal, a disputa pelo comando envolve desafios e lutas onde a conquista do poder trás consigo a necessidade  do combate, deixando às vezes sequelas por toda a vida. Mas a assunção da liderança também envolve a responsabilidade pelo comando no enfrentamento do perigo. No momento em que o grupo se vê  desafiado, é o chefe desse grupo quem parte para o ataque, que se coloca na linha de frente e afronta o inimigo. E se o inimigo for mais forte, o chefe para ser digno do título precisa morrer em combate, jamais fugir.
            Portanto, a manutenção dessa carga de adrenalina nos limites da ordem envolve a presença de um poder superior que a todos submete, esse poder advém do Estado. É ele que impede o retrocesso à barbárie e aos tempos da lei do mais forte.  O Estado é o garante dos direitos  envolvidos em disputa nessa sociedade, por isso, ele detém o monopólio da força.  Por via de consequência, submeter ao poder Estatal é a forma de garantir a nossa sobrevivência enquanto grupo social.
Aamâncio

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