Dentre as teorias que existem para sustentar a criação do
Estado, no meu entender, basta apenas uma para sacramentar sua necessidade: o
Estado existe para promover o controle social. Este controle é necessário para
que a sociedade sobreviva. O homem é um animal sanguinário e sente,
instintivamente, aversão pelo seu semelhante. Por esta razão, é preciso da
coação Estatal para que não nos matemos uns aos outros e, com isso, acabemos
com tudo o que foi construído até aqui. E por um estranho paradoxo, é esse instinto agressivo que construiu o que
chamamos por sociedade, cultura, civilização. Tudo o que o engenho humano
produziu em obras e realizações, é fruto da sublimação dos instintos primários
agressivos e, por isso mesmo: destrutivos. Dessa sublimação nasceu a
produção humana, a sociedade. Dentro dessa sociedade, surge aqueles que comandam, que lideram. Esses
são os machos alfas que conduzem o restante, aqueles cujo estágio evolutivo não alcançou os que
estão na liderança. Essa leva que ficou
na retaguarda, necessita do apoio e da defesa das lideranças. São essas
lideranças que lhes possibilita sobreviver num ambiente hostil e extremamente
competitivo. São os mais aptos, física e mentalmente que lideram a sociedade e
dão o tom para o seu desenvolvimento. E é graças a eles que, aqueles que não
lograram a mesma sorte, podem encontrar proteção e condições de sobrevivência. São os mais aptos que irão montar as empresas
para produzir, inventar e criar novas técnicas e novos produtos, gerando
empregos, bem estar e impostos que irão alimentar o Estado.
Como quase
sempre essa liderança é contestada e
desafiada, surge a necessidade ainda que instintiva da agressividade como arma
de ataque e defesa. Isso porque todos querem estar em destaque e se posicionar
como o macho alfa. E assim como acontece no mundo animal, a disputa pelo
comando envolve desafios e lutas onde a conquista do poder trás consigo a
necessidade do combate, deixando às
vezes sequelas por toda a vida. Mas a assunção da liderança também envolve a responsabilidade
pelo comando no enfrentamento do perigo. No momento em que o grupo se vê desafiado, é o chefe desse grupo quem parte
para o ataque, que se coloca na linha de frente e afronta o inimigo. E se o
inimigo for mais forte, o chefe para ser digno do título precisa morrer em
combate, jamais fugir.
Portanto, a
manutenção dessa carga de adrenalina nos limites da ordem envolve a presença de
um poder superior que a todos submete, esse poder advém do Estado. É ele que
impede o retrocesso à barbárie e aos tempos da lei do mais forte. O Estado é o garante dos direitos envolvidos em disputa nessa sociedade, por
isso, ele detém o monopólio da força.
Por via de consequência, submeter ao poder Estatal é a forma de garantir
a nossa sobrevivência enquanto grupo social.
Aamâncio
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