quarta-feira, 11 de julho de 2012
Joelmir Beting
GANHO REAL DE 3% NOS SALÁRIOS DE 2011
O Dieese conclui o estudo anual sobre os pisos salariais de 2011, em que são analisados dados de 671 unidades de negociação em todo o país, nos setores da indústria, do comércio, de serviços e no setor rural.
O aumento real médio foi de aproximadamente 3%, mas em 13% dos casos foram obtidos ganhos reais superiores a 6% foi relevante (13%). Só em 7% das negociações, o piso teve variação menor que a do INPC - a maior parte com perdas de até 1% abaixo do índice.
O estudo destaca os reajustes aplicados ao piso salarial e os valores definidos em cada categoria. Assim, no ano passado, em 92% das negociações, os trabalhadores conseguiram aumentos reais (acima do INPC) nas datas-base. No ano, 89% dos pisos salariais foram estabelecidos em convenções coletivas de trabalho e 11% em acordos coletivos.
No ano passado, quase 30% dos 671 pisos salariais analisados tinham valor nominal de até R$ 600. E quase a metade, de até R$ 650. Valores superiores a R$ 800 foram observados em menos de 20% dos pisos e, acima de R$ 1.000, em apenas 5% dos pisos analisados. E o menor piso salarial registrado foi de R$ 540, equivalente ao salário mínimo de janeiro e fevereiro de 2011.
Destaca o Dieese que, se em 2011, o aumento real médio dos pisos salariais foi de INPC+3%, no ano anterior o aumento fora mais, INPC+ 5%.
Considerando os setores econômicos, o comércio foi o que teve maior percentual de pisos com aumentos reais (95% dos casos), seguido pela indústria (94%). No setor rural, 89% dos acordos tiveram aumento real, e nos serviços, 87%.
O Dieese chama a atenção para o elevado percentual de pisos reajustados abaixo da inflação no setor de serviços, cerca de 11%, mesmo se o maior aumento real em um piso foi observado justamente em uma negociação desse segmento. Nesse caso, os trabalhadores conseguiram aumento real de 25%.
A maior perda foi registrada em uma negociação na indústria (7% abaixo), mas a segunda maior foi também nesse setor (24% acima).
Apenas em cinco casos há acordos de abrangência nacional para pisos salariais - o mais elevado foi de R$ 1.720,32, e o menor, de R$ 852,31, com média de R$ 1.290,82. O Dieese anotou como maior salário de ingresso um caso observado no Sudeste (R$ 4.359), seguido por um do Nordeste (R$ 2.549). E, em termos regionais, nas regiões Sul e Sudeste são pagos os maiores pisos salariais; no Nordeste, os menores.
Em 2011, o salário mínimo necessário para cumprir a lei, calculado mensalmente pelo Dieese, foi de R$ 2.272,45, na média anual, ou 4,18 vezes superior mínimo oficial. Detalhe: apenas cinco pisos salariais analisados neste estudo tinham valor superior a esses R$ 2.272.
(11/07/2012)
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